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O Pix ficou sem teto fixo. Quem decide o limite agora?

Desde 1º de outubro, o Pix por aproximação não tem mais teto fixo de R$ 500. A mudança está na Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho, e passou batida para muita gente porque a manchete parece assunto de carteira digital.

Também existe outra maneira de digerir essa informação. A norma tira uma constante do regulamento e entrega a decisão para quem opera: quanto uma pessoa pode movimentar, por operação e por dia, passa a ser uma conversa entre cliente e instituição.

O que mudou, em poucas linhas

A IN BCB 746 altera a IN BCB 512/2024, que trata dos limites do Pix. Segundo as análises que li do texto, o teto de R$ 500 por transação por aproximação deixa de existir, e os limites diários que cada instituição define continuam valendo. No Pix Automático, o cliente passa a poder pedir aumento ou redução do limite diário. Quem decide sobre o aumento é a instituição.

Um mês antes, em 1º de setembro, a IN BCB 766 ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução feita pelo MED (Mecanismo Especial de Devolução) quando há suspeita de fraude. O Banco Central diz que o MED recuperou cerca de R$ 1 bilhão entre 2024 e 2025, número que a imprensa reproduz com pequenas variações.

O Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado em agosto, registra que o Pix Automático completou um ano em junho de 2026 com 20 milhões de autorizações em estoque. Quando um produto chega a esse volume, a regra de limite deixa de ser detalhe de configuração e passa a decidir risco, experiência e receita ao mesmo tempo.

Dois pedidos de limite, dois problemas diferentes

Pense em um cliente que abre o app e pede mais limite no Pix Automático, porque a mensalidade da escola dos filhos subiu. Quem responde? Uma regra simples, como aprovar até certo valor para conta com mais de um ano? Um score? Um analista? Em qualquer dos três casos, o banco precisa de alçada definida, registro de quem decidiu e por quê, e um jeito de voltar atrás se o comportamento da conta mudar na semana seguinte.

Agora pense no mesmo cliente com limite alto, numa conta que recebe um Pix de golpe. A janela de contestação do MED ficou mais longa. Essa parte é leitura minha, não está na norma: quanto mais tempo a disputa pode durar, mais tempo a instituição precisa conseguir explicar por que aquele limite estava ali naquele dia.

Onde isso encosta no legado

A maioria dos cores bancários guarda limite como atributo da conta. Funciona bem quando o regulador fixa o número e a instituição só ajusta para baixo. Funciona mal quando o cliente pede em canal digital, a decisão depende de risco em tempo real e precisa de aprovação com trilha.

O que falta, na maior parte das operações que conheço, não é o Pix em si. É a camada entre o canal e o core, a que aplica regra, escala para alçada quando precisa, calcula limite dinâmico e registra tudo para auditoria. É o tipo de camada que costuma nascer às pressas dentro de cada produto e depois ninguém quer mexer.

Eu conheço bem esse buraco porque é onde a Diletta trabalha. O CoreFlow existe para essa orquestração: limites dinâmicos, fluxos de aprovação, regras que o time de negócio altera sem esperar sprint, e IA para ajustar limite e detectar anomalia. A LIA, nossa atendente avatar, pega a outra ponta. Em vez de o cliente caçar o menu de limites, ele pede conversando, e ela executa a solicitação até o fim, passando pelas mesmas alçadas.

O que eu faria nos próximos 90 dias

Se você lidera produto ou tecnologia em banco digital ou fintech, eu começaria por três perguntas internas, sem ferramenta nova.

Quem hoje consegue alterar um limite de Pix, por qual canal, e onde fica registrado? Qual é o tempo entre o cliente pedir e a instituição responder? E se o regulador mudar o número de novo, quanto custa mudar a regra: uma configuração ou um projeto?

Se a terceira resposta for “um projeto”, esse é o sinal. Vale lembrar que o BC ainda tem outras mudanças de Pix e MED no calendário, então a pergunta vai voltar.

Os textos que usei divergem em alguns detalhes, como a data exata de publicação da IN 766 e o valor recuperado pelo MED. Antes de alterar qualquer regra operacional, leia o normativo no site do Banco Central.

Fontes

Mauricio Miguel

Mauricio Miguel

Sales and Marketing Director - Socio fundador

Empreendedor e executivo de tecnologia com experiência internacional em fintechs, software e inovação. Cofundador da Diletta Solutions e da Diletta Pay, foi Assistant Professor na Indiana University e atua na liderança de iniciativas que conectam tecnologia, negócios e transformação digital no mercado financeiro.